Aula de História.
- E os espartanos tinham que se submeter a um vestibular também. A prova final deles consistia em matar o maior número de hilotas possível. Já pensou, hein, gente, se o nosso vestibular fosse assim?
Enquanto eu me deliciava com a visão de um vestibular em que não fosse necessária a força intelectual e sim a física, minha amiga me desperta dos meus devaneios e diz:
- Eu nunca passaria num vestibular assim!
- Ué, por quê?
- POR QUÊ, Bárbara??? - ela balança a cabeça em sinal de desaprovação e volta a prestar atenção à aula.
Depois eu me toquei: vestibular é uma coisa que mexe de verdade com o lado mais obscuro da nossa mente. E olha que eu nem sou forte.
Eu e a minha mãe, conversando sobre o futuro:
- Pois é, mãe. Passar em Jornalismo não é apenas uma questão de realização profissional, sabe. Quer dizer, esse é o principal motivo, claro, mas não é o único. É uma questão de "realização afetiva", também. Veja bem, eu nunca tive um namorado e sou podre de tímida para ficar passeando pelos outros cursos atrás de um. Como é que a minha situação vai mudar se eu passar 4 anos numa turma em que 97% das pessoas é mulher? Eu tenho que ir para um turma mista, mãe. Lá, eu posso namorar um colega jornalista, que gosta das mesmas coisas que eu: livros, cinema, teatro...
- Por que você não faz Matemática?
- Ahn?
- Só tem homem na Matemática. Só haveria você de mulher, e você não teria mais problemas com relacionamentos!
- Mas, mãe, o negócio é que eu não gosto de exatas, não tem nada a ver comigo. Eu gosto é de humanas. Outro dia, na livraria, eu peguei um livrinho sobre Comunicação e...
- Ou Engenharia. Você poderia fazer Engenharia, é outro curso que só da homem. Pronto, resolvido, você vai fazer Engenharia!
- É, né! Lá, eu arranjaria um namorado e, de quebra, ainda sairia da faculdade com emprego garantido! Pronto, mãe, vou fazer Engenharia!
Rimos.
- Mas Engenharia não tem nada a ver comigo, também, mãe, e além do mais...
Não que eu esteja desesperada, sabe. É que quando eu converso sobre o futuro com a minha mãe, ele me parece menos... assustador.
Contando uma novidade a uma amiga:
- Tô tão feliz, Talyta! Eu consegui uma pessoa! Bom, na verdade, a minha prima conseguiu pra mim. Mas eu tô muuuito feliz! - disse eu, com um sorrisão na cara.
Silêncio.
Eu, ainda sorrindo, olho para a minha amiga e vejo uma interrogação estampada no rosto dela.
- Consegui uma pessoa para tirar xerox da apostila - expliquei.
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh sim.
Se eu não fosse solteira, não teria que passar por situações como essa.
Eu e meu primo de 4 anos e meio conversando, enquanto ele pula em cima do sofá da sala:
- Vini, tu quer ser advogado?
- Não.
- Médico?
- Não.
- E o que tu quer ser quando crescer, afinal?
- Jogador de basquete.
- Mas, Vini, desse jeito tu vai passar fome.
- Mas eu já tô com fome!
Ao telefone:
- Como é seu nome?
- Bárbara.
- Então, Bárbara, eu sou a Fulana (não consigo lembrar o nome dela), do Consórcio Honda (ou algo do gênero). Você conhece a marca Honda?
- Conheço.
- Então você deve saber que a marca Honda é uma marca de ótima qualidade, né, Bárbara?
- Sei, sim.
- Pois é. E eu tô com uma oferta incrível, Bárbara. Uma moto Honda por apenas R$75,00 mensais! Diga aí se não tá barato, diga.
- Eh... tá, sim!
- Que ótimo, Bárbara! Agora me diga: essa parcela de R$75,00 cabe no seu orçamento?
- Eh... eu não trabalho.
- Ah, que pena... Tá desempregada, querida?
Eu nunca tinha percebido a minha situação por essa perspectiva, sabe.
Seis horas da manhã. Olho para o lado e vejo uma mulher, que diz:
- Bárbara, levantar.
- Ahn...? - resmungo, ainda entorpecida pelo sono.
- Beber, cair, levantar. Beber, cair, levantar - canta a minha mãe, começa a rir e sai dançando do quarto.
Acreditem em mim: não foi um sonho.
Há alguns meses, a minha prima estava mostrando ao meu primo, de 4 anos de idade, uma foto da mãe deles grávida.
- Olha aqui, Vini, como a barriga da mamãe tá enorme nessa foto. Nessa época, você tava dentro dela.
Meu primo começa a chorar e pergunta:
- Por que a mamãe me comeu??
Na tevê, uma reportagem sobre os perigos do uso inadequado de comprimidos/remédios. Do nada, a minha vó exclama, alarmada:
- Olha aí, Bárbara, olha aí! Eu tenho certeza de ter visto esse remédio aqui em casa, certeza!
- Vó, isso aí é Viagra.
A existência de um comprimido de Viagra na minha casa não seria tão questionável se aqui morasse pelo menos UM portador do cromossomo Y.
Eu e a minha prima no cinema, esperando a sessão de Crepúsculo começar:
- Vem cá, Bárbara, o que significa "crepúsculo" mesmo, hein?
- É tipo o "pôr-do-sol".
- Ah... A série tem quantos livros? Qual o nome do próximo?
- São 4 livros. O próximo é Lua Nova.
- Lua Nova? Que estranho.
- Pois é. Depois vem o Eclipse e o Amanhecer. É um ciclo.
- Tá fazendo hora com a minha cara, né?
- Não tô, não. É sério. Primeiro o sol se põe, depois vem a lua, daí acontece o eclipse e, por fim, o sol aparece de novo.
- Puxa... Muito estranho.
Depois da sessão:
- Bárbara, tu gostaria de ser uma vampira?
Sinceramente, eu ainda sinto falta dos tempos em que eu me iludia com filmes. Ficar imaginando que um dia eu me casaria com o Peter Parker ou com o Wolverine me fazia bem.